Gravidez na adolescência

Versão do Léo

Descobri que vou ser pai. Quer dizer, ainda não tenho certeza se, realmente, esse filho é meu. Namorei Duda por alguns meses e tivemos alguns momentos íntimos. Mas sabe, Duda é uma garota muito festeira. Várias vezes eu não podia ir para uma festinha com ela e mesmo assim ela ia com as amigas. Já vieram me dizer que nessas festas sempre estava cercada de outros garotos. E que dançava com eles de maneira maliciosa. Eu não vou mentir, estou com medo de assumir uma responsabilidade que não é minha.

Percebam como essa história dela é estranha. No dia em que eu ia terminar com ela por não aguentar mais os falatórios de meus amigos, ela fez charme e acabamos transando novamente. Ela sabia que eu ia terminar. Algumas vezes não usamos camisinha, mas quando isso acontecia eu sempre me controlava e ejaculava fora. Mas é responsabilidade dela tomar pílula e não minha. Ela só pode ter armado tudo isso achando que continuaria com esse namoro. Se enganou!

Todos os meus amigos estão falando que ela me forçou a ser pai quando decidiu ser mãe, achando que isso sustentaria nosso relacionamento. Terminei com ela e quero me afastar. Preciso de um tempo para digerir a ideia. Quero distância dela. Minhas aulas na faculdade vão começar e preciso focar em meus sonhos agora.

Meu pai diz que minha vida começou agora, então não vou perder tempo com esta garota e esta criança. Se for realmente meu, acerto o valor que caiba em meu orçamento e pagarei uma pensão à ela. Quando for possível, vou pegar a criança para passear, não serei um pai ausente. Mas não estarei disponível todo o tempo. Ele ou ela terá que entender. Eu já vou dar meu nome a essa criança e ela não poderá reclamar. Só não quero mais intimidade com a Duda.

Versão da Duda

            Descobri, recentemente, que estou grávida. GRÁVIDA! Isso mesmo! Eu estou em pânico, sou muito jovem. Minha vida e todos os meus sonhos estão prestes a desabar! O pai é meu ex-namorado, o Léo. Aquele irresponsável! Me largou assim que soube e ainda está duvidando que ele seja o pai. Disse que poderia ser de qualquer um dos amigos que eu sempre encontrava nas festas. Claro que gosto de uma festa, sou jovem e feliz! E o fato de estar namorando não me deixa presa em casa. Não ia para as festas todo final de semana, mas quando uma amiga me convidava eu chamava o Léo. E, por causa dos estudos na faculdade, ele não podia ir e nem vinha me ver. Ele podia sair com os amigos sempre que queria, por que eu não podia sair com minhas amigas? Sempre o respeitei e nunca fiquei com ninguém além dele. Mas ele prefere acreditar em seus amigos.

Nós mulheres, quando descobrimos uma gravidez, já sabemos da responsabilidade que nos espera e das dificuldades. O peso dessa notícia é muito maior para nós. Ele deveria ter me apoiado e ficado ao meu lado. Eu confesso que ainda o amo, mas ele está me maltratando bastante. Quero que ele fique ao meu lado e encare essa responsabilidade junto a mim. Eu estou tendo vários pensamentos ruins. Choro todos os dias por desespero e ainda não sei como contar aos meus pais. Já pensei em abortar. Acho que pelo menos isso ele teria que pagar. Mas já ouvi tantas histórias negativas sobre isso na escola que estou a ponto de enlouquecer. Penso em meus sonhos, nas dificuldades, no preconceito e na solidão.

Eu sabia que meu o relacionamento com Léo estava abalado, mas não engravidei “por querer”, como ele tanto fala. Eu tenho objetivos de vida, assim como ele. Eu o amo e não fiz esse filho sozinha. Ele está falando que quer distância de mim, mas isso é o mesmo que rejeitar o filho dele que carrego dentro de mim. É obrigação dele estar ao meu lado neste momento.

Se engravidei, a culpa foi dele, que vivia dizendo que se ejaculasse fora não teria perigo. Por isso, não me preocupava em tomar pílulas. Já vi reportagens sobre essas tais pílulas, que estavam causando doenças nas mulheres. Tive medo dos efeitos colaterais.

Agora terei que parar minha vida e meus estudos. Enquanto ele seguirá seu curso. Isso não está certo! Ele tem que estar ao meu lado. Algumas amigas já me falaram que ele pode não querer assumir nosso filho e desaparecer. Como ficarei nessa situação? Com um filho sem o nome do pai no registro? Será que devo superar e criar meu filho sozinha? Mas se isso acontecer, direi ao meu filho que seu pai morreu e nunca mais Léo voltará a me ver.

 

Atividade

  • De quem é a responsabilidade nessa história?
  • Vocês acham que essa história é algo comum em nosso país?
  • Vocês já viram algo parecido acontecer?
  • Quais efeitos essa notícia teve na vida de cada um?
  • E se fosse você no lugar de um dos personagens, agiria da mesma forma? O que mudaria?
  • Se você pudesse dar um conselho a cada um dos personagens, o que diria?

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s